Skinheads vão a Júri Popular em São Paulo a partir do dia 1º de julho

     Nos próximos dias 1, 2, 3 e 4 de julho, será realizado o julgamento dos quatro skinheads que agrediram quatro pessoas em um evento em repúdio à homofobia e ao racismo, no centro de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2011. O júri popular acontecerá no Fórum Criminal Min. Mário Guimarães (Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda, em São Paulo/SP).

     O ataque ocorreu durante as Jornadas Anti-Fascistas, organizadas desde 2000 pelo Movimento Anarcopunk de São Paulo, em homenagem ao adestrador de cães Edson Neris da Silva, homossexual que foi espancado até a morte em 6 de fevereiro de 2000, na praça da República.

“Eles nos vigiavam desde o início das atividades na Praça da República, onde um deles fez uma saudação nazista e ameaças em público.
Depois nos deslocamos para a segunda parte da atividade no Espaço Cultural, na Rua das Carmelitas”, contou uma testemunha.

 

     A primeira vítima não tem uma das pernas, ela foi atacada a quase 500 metros do local do evento, na rua Anita Garibaldi, em frente ao Corpo de Bombeiros.

“Eles gritavam: vamos arrancar a perna dele – referindo-se a prótese que a vítima usa para andar – então fui atingido com um taco na cabeça e desmaiei.”

     Após a primeira agressão, os skinheads seguiram para o evento. As pessoas na rua começaram a gritas. “Eles agrediram um rapaz na frente do Corpo de Bombeiros.” “Os skinheads estão vindo!”

“Era clara a intenção de matar. Não só pelas armas que carregavam, mas também como golpeavam e contando as vítimas diziam ‘menos um macaco’.”

     Um rapaz foi ferido de forma muito profunda no braço, outro foi esfaqueado no abdômen e, a quarta vítima, esfaqueada na cabeça. A faca atravessou o crânio e atingiu o cérebro.

 

http://www.casaraobrasil.org.br/1/1.jpg

 

http://www.casaraobrasil.org.br/1/2.jpg

 

      Os skinheads foram presos com uma espingarda de chumbinho, munição, dois facões, uma faca, três canivetes, um soco inglês e uma machadinha.

http://www.casaraobrasil.org.br/1/3.png

 

     Uma das armas tinha um símbolo nazista e a inscrição “Impacto Hooligan”, um grupo neonazista envolvido em outros crimes e já conhecido pela polícia paulista por perseguir negros, gays, imigrantes e nordestinos.

 

http://www.casaraobrasil.org.br/1/4.png

 

      Jorge Gabriel Gonzales, Milton Gonçalves do Nascimento Júnior, na época com 20 anos, Raphael Luiz Dierings, 18, e Rogério Moreira, 23, foram presos em flagrante. Um adolescente, 17, foi encaminhado à Fundação Casa e liberado depois de cumprir medida sócio educativa.

http://www.casaraobrasil.org.br/1/5.png

 

     Um deles tem envolvimento no atentado a bomba que feriu 21 pessoas após a Parada Gay de 2009 mas conseguiu a suspensão do processo.

     Todos os acusados, mesmo presos em flagrante por tentativa de homicídio, aguardam o julgamento em liberdade.

“É triste ver a forma subjetiva com que o judiciário brasileiro trata protagonistas de crimes hediondos como esse. Seria verdadeiramente entre outras coisas crime de nazismo, um crime contra a humanidade. Segundo as leis internacionais, das quais o Brasil é signatário (Estatuto de Roma), crime de homicídio praticado com foco a perseguir sistematicamente um grupo específico de pessoas (por cor, raça, etnia, religião, orientação sexual ou condição social) já é previsto em lei brasileira, como por exemplo as leis nº 7.716 e 2.889. É exatamente o que esse grupo de skinheads pratica, é claramente a prática de genocídio”, enfatizou uma das vítimas.

_______________________________________________________________________

 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4388.htm Lei Internacional

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm Lei 7.716

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l2889.htm Lei 2.889